São Brás nasceu na Arménia
no século III, foi médico e bispo em Sebaste.

No tempo de S. Brás houve
uma forte perseguição religiosa, por isto como o bispo procurou
exortar os fiéis à firmeza da fé. Retirou-se para um lugar solitário
a fim de continuar a governar a Igreja, porém, ao ser descoberto por
soldados disse: "Sede benditos, vós me trazeis uma boa-nova: que
Jesus Cristo quer que o meu corpo seja imolado como hóstia de
louvor".
São Brás é conhecido como protector da garganta, porque ao
dirigir-se para o martírio foi-lhe apresentada uma mãe desesperada
com seu filho que estava sufocado com uma espinha de peixe entalada
na garganta. Diante desta situação o Santo curou milagrosamente a
criança.
Já processado e condenado, S. Brás enfrentou muitas torturas sem
trair a fé em Jesus, até que foi degolado no ano 316. |

Festa de S. Brás

A festa do S. Brás
começava com a indicação dos mordomos ano anterior. O sr. padre,
depois do sermão, anunciava do púlpito quem seriam os mordomos para
o ano seguinte. Eram por norma só rapazes solteiros. Muitas vezes
incluíam emigrantes, pois sempre dava algum jeito para pedir apoio
ao brunhosenses que estavam fora. Durante o ano tentavam angariar
dinheiro, organizando bailes e rifas. Pediam também apoio às casas
comerciais.
Antigamente, nos
domingos que antecediam a festa (que por norma se realizava num dos
primeiros domingos de Fevereiro), os mordomos davam volta à aldeia
pedindo apoio. Além de dinheiro, recolhiam azeite, queixais, bulhos,
salpicões, chouriças, pés de porco e orelheira que colocavam em
cestos de verga. A tradição da matança do porco tem ligação à
devoção a S. Brás. Pedia-se protecção ao santo para o animal
enquanto este sebava, para a conservação do fumeiro e entregava-se
uma pequena contribuição, fruto da matança, para a sua festa.
A contribuição das
pessoas era arrematada por um homem que subia para o muro do adro e
tentava conseguir o maior lance possível por cada queixal, salpicão
ou pé de porco. Quem não matava o porco aproveitava esta ocasião
para comprar porque o Carnaval estava próximo. Esta tradição foi-se
perdendo.

Quando tocava para a
missa, o sacerdote e as pessoas mais pontuais, dirigiam-se à capela
de Santa Bárbara e faziam a muda dos andores da capela para a igreja
matriz.
A seguir à missa, por
volta da hora de almoço, seguia-se a procissão. Acompanhavam o andor
de S. Brás (revestido a seda vermelha e branca coberta de tule
branco), os andores do Menino Jesus, Santa Bárbara, Santa Luzia e o
Sagrado Coração de Jesus (e ainda outros quando havia promessas). As
janelas eram enfeitadas com colchas (as melhores que havia em casa)
e atirava-se arroz e flores quando os andores passavam.
De tarde realizava-se
um jogo de futebol normalmente contra Paradela ou Remondes.
O local da festa
nocturna era o pequeno largo que existe na Malhada, junto da bica.
Este pequeno largo era o centro da aldeia e onde se faziam os
arraiais. Como a festa se realiza com tempo frio, os mordomos
aqueciam o ambiente com uma grande fogueira. O conjunto musical
chegava ao fim da tarde, montavam os instrumentos e ia jantar a casa
dos mordomos. Quanto recomeçava a música, as pessoas bailavam até se
cansarem enquanto os foguetes lembravam aos das aldeias vizinhas que
a festa de S. Brás em Brunhoso estava animada. |