O QUE MAIS DESEJARIA PARA BRAGANÇA ERA A INSTALAÇÃO DA UNIVERSIDADE
Afirmou Jorge Nunes em entrevista à Revista Amigos de Bragança
Amigos de Bragança - Quando vai tomar posse do cargo de Presidente da Câmara?
Jorge Nunes Logo que os resultados sejam homologados. Naturalmente que o actual presidente da Câmara irá proceder à marcação, o que deverá acontecer lá para o dia 5 de Janeiro.
A.B. Quais as primeiras medidas que irão ser tomadas logo de imediato?
J. N. - As preocupações mais imediatas são as relacionadas com a gestão financeira do município. É preciso avaliar o estado em que se encontra o município em termos financeiros e extensão dos compromissos assumidos. Isto para podermos avaliar bem como poderá ser o início do mandato em termos de investimentos. Por outro lado, é preciso avaliar a parte da estrutura de pessoal uma vez que é uma máquina muito grande e pesada, e que nestes últimos quatro anos ficou um bocado desmobilizada e até desarticulada, tendo perdido bastante a nível de quadros superiores e intermédios, é preciso dotá-la de maior experiência, maior inovação e maior capacidade técnica, de forma que é preciso corrigir alguma coisa, motivar os funcionários para que adquiram a confiança na gestão, porque de certo, está no espírito deles que todo o trabalho se dirige aos munícipes e tem de ser bem feito e ao mais baixo custo possível.
A.B. Que sinais de esperança, dentro do espírito de mudança que se propôs, vai dar aos Bragançanos, nomeadamente no que se refere a obras?
J.N. Algumas obras vão ter que ser relançadas de imediato, para não perder alguns apoios comunitários como sejam a ETAR, os Emissários, o parque de lazer dos Calaias. Tem que se dar novo ritmo às obras para que não haja perda das receitas do município. Refiro-me também à Igreja de São Francisco, onde há o risco de algumas verbas da INTEREG serem eventualmente perdidas. Também temos que avançar com as obras nos Bairros da cidade, uma vez que durante a campanha afirmamos que renovar a cidade é uma prioridade total, dando-lhe a imagem duma cidade mais atractiva e moderna. É necessário que nos Bairros as ruas e os passeios estejam todos pavimentados.
Relativamente a todo um conjunto de grandes obras que foram anunciadas, o primeiro ano vai ser o ano da concepção do planeamento em termos de elaboração dos projectos, da discussão dos projectos quando for necessário discuti-los.
Também levaremos a cabo alguns projectos relativamente aos quais assumimos um compromisso com a agricultura do nosso concelho, refiro-me ao centro de abate e comercialização, vulgarmente designado por matadouro, ele tem a prioridade total em termos do investimento. A instalação definitiva da Feira foi outro compromisso, farei todo o possível para a instalar o mais rápido possível. Há negociações que têm que ser feitas com a administração central, mas estas obras têm que acontecer o mais rapidamente possível. O próprio mercado municipal, a central de camionagem, há uma série de obras que têm que ser lançadas. De qualquer forma, há obras que estão em cursos às quais tem que ser assegurada a sua finalização, há contratos programas cujas obras não estão lançada e tem que se aproveitar esse dinheiro também, como por exemplo a repavimentação da pista do aeródromo.
No respeitante às acessibilidades, este ano, vai contemplar sobretudo algumas pavimentações dirigidas ao mundo rural. Relativamente a estradas degradadas vamos fazer um estudo global das mais necessitadas para já no ano de 1999 fazer uma grande empreitada de recuperação dessas estradas.
A.B.- Há alguma obra prevista no anterior mandato que não se vá realizar?
J.N. Neste último período do anterior mandato houve alguma pressa de preparar, à última da hora, alguns concursos. Vou ter que analisar esses concursos com bastante cuidado. Se eles forem prioritários serão mantidos, se houver desajustamento em relação às prioridades anunciadas, pois nessa altura o concurso será cancelado.
A.B. Em relação ao anterior Executivo falavava-se que havia um certo "deserto" cultural. Quais vão ser as suas principais prioridades para colmatar esta lacuna?
J.N. Tenho que reunir com a equipa da Câmara para preparar já algumas medidas que terão que ser inseridas no plano de actividades e orçamento. Serão asseguradas as actividades correntes e para além disso terão lugar as actividades anunciadas no nosso programa eleitoral. Em termos de equipamentos, durante o corrente ano não poderão ser lançados, pois trata-se de grandes obras para as quais é preciso fazer os projectos e conseguir o seu financiamento. Em termos de acções penso que durante o corrente ano é possível a instalação da Biblioteca e Arquivo Municipal no actual Centro cultural.
A.B- E em relação ao aproveitamento, por exemplo da antiga Escola Preparatória Augusto Moreno e à recuperação da zona histórica?
J.N. No anterior Executivo tudo indicava que este edifício se destinava a instalar serviços das Finanças. Eu penso que as Finanças têm que investir na cidade, têm que construir um edifício como já esteve previsto há anos atrás, têm que aumentar e elevar o património da nossa cidade. Por isso é propósito da minha equipa instalar nas antigas instalações da Escola Augusto Moreno um Centro Cultural regional, uma Escola de artes e todo um conjunto de actividades que permitam projectar Bragança em termos culturais. Pretendemos instalar aí também uma Fundação que terá a seu cargo a gestão desse próprio espaço cultural de forma a que as actividades culturais tenham maior estabilidade, flexibilidade na gestão e que permita uma maior participação das associações culturais e das pessoas que isoladamente em grupo se dedicam às actividades culturais.
Em relação à recuperação do património histórico, a recuperação deste edifício já é uma primeira medida, de qualquer forma a parte antiga da cidade tem que ser trabalhada como um conjunto e é minha intenção mandar elaborar um estudo para a reabilitação urbana de todo aquele espaço, combatendo o envelhecimento, permitindo que a população jovem se fixe aí reabilitando habitações, por outro lado reinstalar a actividade económica e isto tudo tem que ser feito dento dum plano integrado e isto será um plano para vários mandatos. Isto é um projecto vasto, que não pode ser levado a cabo só com os meios do município mas terão que se obter meios financeiros do Poder Central.
Este projecto tem que se iniciar pela própria cidadela, onde mais de um terço das habitações são propriedade da Câmara e se encontram em estado bastante degradável. O Município vai ter que dar o exemplo e vai ter quer se começar por aí. Por outro lado, um projecto deste âmbito não pode ficar só da responsabilidade da administração pública tem que haver incentivos à parte dos particulares para reabilitar os seus edifícios, bem como apoios às próprias empresas que invistam nesse local.
A.B. E relativamente à educação que medidas vão ser tomadas de imediato?
J.N- Em relação às escolas primárias há algumas escolas muito degradas quero que haja uma preocupação com a reabilitação e conservação desses edifícios. Quero também, neste primeiro ano dar início ao processo da construção das escolas do pré-primário da cidade e também dar início ao processo da construção da escola do Bairro dos Formarigos.
A.B. Tem alguns projectos relativamente à habitação social?
J.N. Em Bragança não faltam casas, o que há é gente que não tem possibilidades económicas de ter acesso ao mercado de arrendamento, nem pode comprar habitação própria e o município não pode virar as costas a este sector da população. Bragança precisa de ter habitação social e durante o primeiro ano o que vai ser feito é um levantamento das principais necessidades, dialogar com o Instituto Nacional de habitação para conseguir no ano seguinte lançar mãos dum processo que permita a construção de habitação social quer nas Freguesias de Santa Maria, quer na Freguesia da Sé.
A.B. Falando do ambiente, o Fervença, quando será um rio limpo?
J.N. Quanto ao Fervença, para nós foi um dos projectos que foi olhado com mais atenção, elaboramos um pequeno estudo prévio que foi apresentado à população em vídeo e naturalmente não vamos defraudar as expectativas das populações. Queremos
contudo que este projecto seja um projecto com qualidade e é preciso contratar gente que tenha experiência que se tenha afirmado já noutras cidade no tratamento de espaços deste tipo. O primeiro ano será para lançar esse projecto em termos da concepção, creio que esse projecto estará finalizado no termino do mandato.
A.B Com vai gerir os diversos interesses e pressões que naturalmente se exercem numa Câmara Municipal?
J.N. Eu quero gerir este Município duma forma transparente, com tranquilidade, entendendo que o município não é do Presidente, nem dos funcionários, nem dos eleitos, mas sim dos munícipes e todos os assuntos têm de ser tratados com o máximo rigor possível. Para isso, é preciso que a Câmara também possa dispor dos instrumentos de planeamento adequados, como o Plano Geral de Urbanização para se poder evitar a gestão casuística e pontual. O Plano Director Municipal define meios fundamentais de gestão, mas é preciso elaborar o Plano Geral de Urbanização e eu quero que isso aconteça durante o primeiro ano. Toda a gente ganha se as regras de gestão urbanística do município forem claras e assim todos se sentem em igualdade de circunstâncias.
É preciso que as grandes opções da construção urbana, desde os edifícios, aos espaços verdes, os equipamentos, o trânsito, o estacionamento, sejam conhecidos e assumam estabilidade no tempo e na orientação do município.
A.B. E o Plano Director Municipal vai ser revisto?
J.N. Também vai ser revisto logo que estejam terminados os cinco anos em conformidade com a lei. Há alguns estrangulamentos importantes ao nível do Plano Director, nomeadamente na freguesia de Izeda, na freguesia de Samil, Cabeça Boa, na freguesia de Santa Maria e outras e por isso têm que ser revisto.
A.B. - E relativamente ao meio rural quais vão ser as grandes prioridades?
J.N. Relativamente ao meio rural defini como grandes prioridades a construção do Matadouro, a instalação definitiva de feira, a construção do Mercado Municipal e a construção do mercado do gado, isto porque são equipamentos que servem a economia do concelho no seu conjunto, fundamentalmente dirigidos aos agricultores. Por outro lado, o orçamento vai contemplar muitas obras como obras de saneamento, calcetamentos, ampliações de cemitérios, para além de apoiar associações culturais e desportivas e de dar apoio à recuperação do património das aldeias. No referente aos transportes escolares o processo será revisto indo de encontro aos interesses dos utentes.
A.B. Falando ainda de eleições, como foi possível a vitória da Junta de Freguesia da Sé?
J.N. A equipa candidata à Junta de Freguesia da Sé é uma equipa fortíssima , com gente de bem, querida e estimada nos Bairros da Cidade, ligada também à actividade comercial, o próprio candidato é um homem de muito trabalho que lida com as pessoas com muita facilidade e por isso a vitória foi possível. Por isso, eles terão da minha parte todo o apoio, bem como a junta de freguesia de Santa Maria, pois as duas juntas de freguesia não podem estar de costas voltadas entre si, nem de costas voltadas para a Câmara e terei todo o prazer em trabalhar com Amílcar Pires que é uma pessoa acessível e que se relaciona bem com as populações.
A.B. Este executivo vai ter em conta a sociedade civil, nomeadamente as associações, como por exemplo a ACIB?
J.N. Vamos ter uma política de estreitamento de relações. Iremos ajudar todas as associações, entrando em processos de cooperação, a ACIB também partilha deste interesse para fazermos o melhor pela nossa terra e pelos seus habitantes, quer ao nível pessoal, comercial, ou industrial, quer ao nível da promoção do nossos produtos, do Turismo e das relações transfronteiriças.
A.B. Qual vai ser a actuação deste Executivo em relação ao pequeno Comércio, perante a concorrência das grandes superfícies?
J.N. - Em relação ao pequeno comércio a equipa da Câmara vai ter uma preocupação especial porque eles também deram um contributo para a mudança, pois eles sentiam que a cidade estava a cair economicamente. A Câmara não tem toda a responsabilidade neste processo mas tem alguma. E algumas medidas vão ter que ser tomadas, nomeadamente à instalação da quarta grande superfície comercial em Bragança, é vontade minha impedir, se for possível, a instalação dessa superfície em Bragança. Contudo em relação às grandes superfícies já instaladas, há protocolos que não estão satisfeitos ainda e que terão que ser satisfeitos na sua totalidade.
A.B. Para levar acabo tudo o que se propõe, conta com a cooperação do Governo?
J.N. O Governo foi eleito para Governar todos os Portugueses e também para Governar com todos os Presidentes de Câmara. O Governo assumiu com Bragança um compromisso muito forte, de pôr Bragança no mapa, por isso, eu penso que o Governo não vai virar costas a esta terra, de resto estão lá dignos representantes que querem fazer o melhor pela sua terra e eu creio que desta vez eu tenho uma equipa na Câmara que em conjunto com o Governo, iremos trabalhar para o desenvolvimento e afirmação da nossa terra.
A.B. O que mais gostaria que acontecesse para Bragança?
J.N. A instalação da Universidade.
A.B. - Quer deixar alguma Mensagem aos Munícipes?
J.N. A mensagem particular que eu envio a todos os Bragançanos, sem excepção, é o desejo dum Bom Natal e um feliz Ano novo e quero reafirmar-lhes que sou o Presidente de todos os Bragançanos e posso assegurar-lhes que o meu comportamento e o comportamento dos funcionários do município será igual para todos, trabalhando sem discriminação, tratando a todos da mesma forma e com igual empenhamento.
F.C.